a arte dos quadrinhos na forma de uma fotografia


É complicado, porque as opiniões são subjetivas e vêm em todas as cores, mas há obras que conseguem uma certa unanimidade entre os fãs. É o que acontece com Marvels, a homenagem em forma de fotografia que Kurt Busiek e Alex Ross um dia transformaram em lenda do gênero. A razão é simples: através de um desenho comovente de Ross, Busiek revisou todo o universo Marvel até o momento através do olhar de um cidadão normal, neste caso um fotojornalista. Essa força combinada entre roteiro e desenho rapidamente conquistou o coração de fãs e críticos, tornando este um produto que, na minha opinião, qualquer amante de quadrinhos deveria ler pelo menos uma vez na vida.

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Este Marvels, para quem não conhece a história mítica, coloca-nos na pele do fotógrafo Phil Sheldon, que tirará fotos dos momentos mais importantes do universo Marvel. Do aparecimento da Tocha Humana à chegada de Galactus, passando pela morte de Gwen Stacy e pela perseguição aos mutantes. Tudo isto vai além do ponto de vista habitual dos super-heróis e centra-se nos sentimentos dos cidadãos que de um momento para o outro começam a ver que existem pessoas diferentes deles que salvam ou tiram vidas, consoante sejam heróis ou vilões. . Busiek saiu do palco principal e sentou-se nas poltronas, fazendo o leitor sentir o que significaria se tudo isso acontecesse em sua própria realidade.

Além disso, Busiek não se dedicou apenas a revisar a história da Marvel e nada mais, mas conseguiu transmitir as sensações da sociedade e como elas evoluíram enquanto o mundo dos super-heróis se expandia em sua rotina de vida. É aqui que reside a genialidade desta HQ, na capacidade do roteiro de, através dos saltos temporais deste fotógrafo, transmitir surpresa, medo, rejeição e incerteza diante da magnitude de ver super-heróis voando pelos céus ou lutando no meio de uma a rua. . Não é fácil ficar do outro lado e transmitir isso. Busiek conseguiu isso e o fez com uma simplicidade complexa que assusta.

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O roteiro, na minha opinião, se divide entre a surpresa e emoção inicial de ver super-heróis em sua cidade, Nova York, até aquele medo e incerteza sobre como tudo isso vai acabar. A princípio tudo o que acontece com esses heróis é lindo, mas como tudo na vida, muda e amadurece de diferentes maneiras. Erros são cometidos. O mundo está em jogo. Os preconceitos, como no caso dos antimutantes, fazem dançar entre o apoio e o ódio. Tudo isso pode acontecer e Busiek sabe fazer isso de forma excepcional através da câmera de Phil Sheldon. É evidentemente perceptível nos capítulos em que as emoções deste fotógrafo são desencadeadas. Para melhor e para pior. Dele e de sua família, que também são muito protagonistas.

São dois ‘episódios’ que me fascinam. Uma delas é a morte de Gwen Stacy, porque ela destrói a alma e ao mesmo tempo a reanima da personagem principal, e a do racismo antimutante, com o protagonismo da filha de Phil que faz seu pai reconsiderar. São dois gênios dentro da já obra de arte que já é uma Maravilha.

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Quanto ao desenho, é Alex Ross. Sei que muita gente fala que sua fotorrealidade é estática, mas não me parece assim, principalmente sem levar em conta o movimento interno que a visualização de suas obras produz em mim como leitor. Ross não precisa explicar o desenho dele, pois fala por si. Ele deixou vários exemplos para vocês verem aquela estética, sim, estática, não:

Esta Marvels, como uma boa obra de culto, tem diferentes edições. Do básico ao Must Have que saiu há pouco tempo pela Panini, mas acho que precisava de uma edição completa para que colecionadores e amantes do meio mergulhassem de cabeça nela. É o caso desta Maravilhas Anotadas de 504 páginas e que, além de um tamanho considerável para desfrutar de todo o esplendor de Ross, inclui um número tão grande de extras que, de facto, estes ultrapassam a própria obra em paginação. Aqui você pode ver:

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É sem dúvida a edição Marvels. Repito, a edição. Tem tudo que um amante do trabalho ou quem vive a fotografia com a intensidade que ela merece pode precisar. Basta observar o cuidado que foi tomado até com a capa, que destaca a câmera de Phil acima de tudo. Capas, roteiros, designs de personagens e principalmente explicações de tudo o que se vê ou esconde nas vinhetas estão nesses extras. Tudo o que você possa imaginar sobre Marvels ou já lhe perguntou, aqui está a explicação.

Como se costuma dizer, e aqui é mais relevante do que nunca, uma imagem vale mais que 1000 palavras. Por precaução, deixo vários e assim chegamos a 2.000 ou 3.000:

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Antes da conclusão final, detalhes técnicos: roteiro de Kurt Busiek, desenho de Alex Ross, editora Panini, contém Marvels Annotated 1-4, Marvels Epilogue e Marvels 25th Tribute Variants, quadro de capa dura, tamanho 20,5×31 e preço de 60 euros.

Conclusão: uma edição de colecionador para uma obra que exige colecionismo. Não conheço ninguém que não goste de Marvels. Mais ou menos, mas gosto. A sua qualidade é inegável para além da substância e da forma e estamos perante uma obra de culto que bem merece esse adjetivo. A história em quadrinhos transmite durante e após a leitura, pois não é possível terminar Marvels sem que você mesmo tenha evoluído com a história. Busiek atingiu esse ponto de excelência e ao lado de Ross seu talento explodiu, para melhor, no ar. Se você gosta, aproveite a leitura.



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